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publicado por pedro, em 22.03.05 às 15:30link do post | favorito


THOM MAYNE

e o prémio foi para... THOM MAYNE !

Pois é. Thom Mayne sucede a Zaha Hadid, vencedora do prémio em 2004.
Há quem chame ao Prémio Pritzker o Nobel da Arquitectura, eu apenas digo que é o prémio mais importante a nível mundial na arquitectura, comparável com o Pulitzer no Jornalismo.

DIAMOND RANCH HIGH SCHOOL

DIAMOND RANCH HIGH SCHOOL . 1999
foto.morphosis

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publicado por pedro, em 21.03.05 às 18:59link do post | favorito
Estava a ler na diagonal algumas coisas que tenho aqui escritas e veio á ideia falar hoje sobre o pátio. São ideias soltas, apenas isso. Que não se tenhas nestas linhas uma coerêcia obrigatória como de um texto publicado se tratasse. São apenas apontamentos, para mim e para outros, de pensamentos que me atravessam.

Pátio, m. Terreno murado anexo a um edifício; recinto descoberto no interior de um edifício; Vestíbulo lajeado de casa antiga e rés-do-chão. (ant.) edifício antigo onde se estudavam humanidades.

Se do conceito extraído do dicionário tinha uma clara percepção dada ser aplicada á arquitectura, desconhecia a sua ligação com disciplina "estudo das humanidades". E refiro-me mais concretamente ao termo "humanidade". Porque o pátio, tal como é aplicado o seu conceito na arquitectura, é na minha leitura, um elemento importante na definição de escala e humanidade num edifício. E esta leitura tem ainda mais força quando de uma casa se trata.

Ressalvando muitos aspectos, há diferenças no entanto entre casa-pátio(s) e casa com pátio(s). E vou tentar cingir-me apenas ao "pátio" . Casa e habitar ficaram para outro dia.

Na casa-pátio, o pátio surge como elemento unificador, ordenador do espaço. A morfologia do edifício apenas adquire a sua essência com a sua presença, não sendo possível dissociar a casa do pátio e vice-versa. O pátio não surge assim, ao contrário da maioria das situações, como espaço sobrante da construção. É o vazio que juntamente com o cheio fazem um todo. E esta unidade é indissociável. A casa-pátio surge assim como uma tipologia de edifício, ou seja, um tipo de edíficio que possui caracteristicas próprias e o distingue de outros tipos.

Já referi aqui que este blog se refere essencialmente á obra de um projecto de uma casa-pátio.

Qual é então a importância que um pátio pode ter?

É possivel fazer uma analogia entre a casa e o Eu. Penso que todos sentimos quando chegamos a casa. É como se entrassemos num outro mundo, naquele que é só nosso. E esse mundo é o reflexo de nós próprios também. A nossa personalidade está presente em todo o seu espaço. Existe uma empatia, por assim dizer. Porque é o nosso espaço, criado por nós. É também essencial para o nosso Eu a luz, o sol. Não será por acaso que este influencia as diferentes culturas e sociedades. Em envolventes demasiado agressivas para a nossa mente, como seja o caso de vivermos no meio de ruído, seja ele visual ou sonoro, há uma necessidade do organismo se proteger desses agentes. O Pátio, em situações como estas, surge como bálsamo para a mente. Porque é ele que faz a transição entre os conceitos que nos estão embuídos sobre o exterior da habitação e o seu interior.

MIES_casa3patios.jpg
CASA COM 3 PÁTIOS . MIES VAN DER ROHE . 1934


Desde as suas origens romanas ( o Pluvium ) até hoje foram muitos os que abordaram a temática desta tipologia. Falando dos modernos ( 1920.1940 ), Mies Van Der Rohe, Le Corbusier, Hilberseimmer, J.P.P Oud, Gropius ( Bauhaus ) e tantos outros fizeram parte desse grupo de estudiosos sobre a casa-pátio.
Escreverei em breve sobre estes e outros contemporâneos relacionados com esta temática.

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publicado por pedro, em 16.03.05 às 21:45link do post | favorito
Lembro-me dos tempos de criança em que havia uma colecção de cromos que se chamava "Dias Felizes". Quando vinha agora aqui deixar o meu testemunho de hoje, lembrei-me...

Hoje tive um dia risonho. Há dias assim... talvez por hoje ser o meu dia, não sei, mas foi um dia de empatias. De encontros com quem há algum tempo não estava, de telefonemas inesperados, enfim, um rol de acontecimentos que me deixaram a sorrir.

Não sei o que cria uma "empatia". Quais são os ingredientes para ela acontecer? Li há não muito tempo na revista XIS, suplemento do Público, a importância que o gestos corporais têm no nosso inconsciente. Empiricamente já sentia isso. Aliás, é através dos gestos que procuro conhecer as pessoas, através dos tiques, das expressões, de tudo o que não controlamos e que é expontâneo. Mas é bom saber que também se cria emptatia através da escrita, como se de repente as palavras se apoderassem no nosso corpo.

Seja falado, ouvido, lido ou visto é assim por vezes... quando há dias felizes.

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publicado por pedro, em 14.03.05 às 23:00link do post | favorito
Hoje, subitamente, ao chegar juntamente com os seus colegas à obra, o Jorge caiu inanimado no chão. Está neste momento em Observação no Hospital de Santo António, com prognóstico reservado. Não se sabe ainda se se tratou de um AVC, trombose, ou de outro tipo de ataque...

Foi a última pessoa que se despediu de mim na Sexta-Feira passada, 11 de Março, dizendo com toda a educação que caracterizam estes nobres trabalhadores " Até á semana Sê Pedro. "

Espero que sim Jorge. Que voltes com a mesma força. Hoje vi na obra um dos ultimos mecos e tacos que colocaste após a primeira betonagem das sapatas. Não me deixei de comover. Aguardamos todos por ti...

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publicado por pedro, em 14.03.05 às 22:50link do post | favorito
Em 2 de Dezembro é entregue o projecto de execução de Arquitectura, com o respectivo caderno de encargos e em 20 de Dezembro é feita a adjudicação da obra.

31 de Janeiro marca o iníco oficial da obra CASA MIRAMAR. AS máquinas depressa se deslocaram para o terreno pois não há minutos a perder. Há, partir daquela data , uma batalha contra o tempo, na qual fazem parte o empreiteiro e os técnicos responsáveis, quer da área de arquitectura, quer na na parte das especialidade, nomeadamente engenharias.

Até ao presente dia a obra tem corrido num rara mas feliz relação entre técnicos, empreiteiro, encarregado da obra e cliente.

Neste momento a obra encontra-se ainda, como é natural, nas suas fundações, tendo já sido feito o primeiro descarregamento de betão, no total de 38 m3.

A partir de hoje, será actualizado este blog quase diariamente de forma a se poder acompanhar o densenrolar da obra.

São responsáveis, porque estas pessoas supostamente anónimas, têm nome: o Zé Maria ( Encarregado ) , o Zé Martins, o Costa, o Miro, o Jorge, o Armindo...para não falar da principal pessoa responsável por parte da construtora: Fernando Cunha.

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publicado por pedro, em 14.03.05 às 22:36link do post | favorito
É então em 19 de Fevereiro de 2004 que o processo entra para licenciamento. Para facilitar a sua apreciação já haviamos tido uma reunião prévia com os técnicos responsáveis para dar a conhecer o projecto. Em 16 de Março de 2004 recebo um telefonema de uma dos técnicos a dar conta do bom andamento do processo e que em breve seria emitido um ofício a diferi-lo, com pequenas alterações a introduzir. Em 16 de Abril é feito o despacho! Um projecto de licenciamento havia sido aprovado em 7 semanas! Algo estaria naturalmente mal, dada tanta celeridade no processo.

Os vários problemas vieram depois. A licença de construção demorou então mais de 9 meses para ser emitida ( evito contar todo o embróglio que foi o processo até aqui ), tendo esta sido emitida no dia 31 de Janeiro de 2005 !

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publicado por pedro, em 14.03.05 às 22:28link do post | favorito
Não parece. Muito menos a quem está ligado ao projecto. Mas já vai longe a data de 16 de Julho de 2002, dia do começo oficial do projecto para este lote. " QUERO QUE A MINHA CASA SEJA UM BUNKER ! " foi a frase marcante da primeira reunião, ainda sobre o programa.
Estava tudo verde, como é natural. O terreno, o loteamento, enfim, toda uma série de condicionantes que viriam a arrastar este processo até ao início dos trabalhos de obra.
Em Agosto desse ano apresentamos uma primeira proposta. Era um passo pequeno mas importante no caminho entre o cliente e o projectista. Um primeiro apalpar de terreno para ambas as partes. Estas vão-se entendo com o passar do tempo até que surge um consenso em Janeiro de 2003. Pensámos, nós os projectistas, que o projecto tinha estabilizado, dando resposta ao programa pretendido pelo cliente. Este, por seu lado, mostrava-se bastante satisfeito com o resultado. É então que surge a primeira paragem no projecto...
Porquê? O estudo que estava a ser feito era para um lote integrado numa operação urbanística denominada "Loteamento" a qual ainda não estava regularizada. Foi então tempo de aguardar, para desespero do cliente...

O primeiro golpe de teatro surge em Maio de 2003, 5 meses após a espera. O loteamento tinha sido entregue a outro projectista, alterando as caracteristicas do loteamento geral, o que significa dizer que afectou o lote onde o nosso projecto estava integrado, incluindo uma redução da capacidade construtiva abaixo do solo e da área do lote!
Após termos tomado conhecimento da situação, pensamos que urgia uma reunião com o novo responsável pelo projecto, esperando dele uma compreensão perante os direitos já adquiridos e as leis em vigor. Deparámo-nos com uma personalidade particular, que com alguma sobranceria praticamente nem escutou os nossos argumentos. Após isto, é metido um aditamento ao loteamento em Julho de 2003, sem nunca o nosso cliente ter tido conhecimento por quem devido das alterações no seu terreno.

É no decorrer da espera para que o aditamento ao loteamento seja aprovado que entre nós, equipa responsável pelo projecto, se apodera uma instisfação perante o projecto já supostamente estagnado desde Janeiro.
Voltamos ao projecto, com uma força ainda maior, na busca de algo que faltava: um conceito!
Faltava no fundo, arquitectura! O projecto não tinha força. Dava a resposta ao que o cliente pretendia, mas sabiamos que podiamos ir mais longe. Que as pequenas coisas que o cliente tinha abdicado poderiam existir.

Surge , pois, uma nova abordagem ao terreno, sem cortar radicalmente com o projecto anterior, mas introduzindo um conceito. Em Novembro de 2003 é entõa apresentado ao cliente, para surpresa dele, um novo projecto. Confirma ele, o cliente, que é bem mais do seu agrado. Muito mais próximo do seu desejo inicial.
Mas a insatisfação, embora menor, ainda se apoderava de nós e sabiamos que poderiamos ir mais longe, limar o conceito. Em finais de Dezembro de 2003 apresentamos particamente a proposta final, resultado do desenvolvimento da anterior. Finalmente atingimos o pretendido: Um BUNKER !

O BUNKER era pois uma casa-pátio, em betão aparente, voltada para o seu interior, protegendo-se do exterior o mais possível, sem nunca perder a sua relação com a envolvente.

casa_maquete_320x240.jpg

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