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publicado por pedro, em 21.03.05 às 18:59link do post | favorito
Estava a ler na diagonal algumas coisas que tenho aqui escritas e veio á ideia falar hoje sobre o pátio. São ideias soltas, apenas isso. Que não se tenhas nestas linhas uma coerêcia obrigatória como de um texto publicado se tratasse. São apenas apontamentos, para mim e para outros, de pensamentos que me atravessam.

Pátio, m. Terreno murado anexo a um edifício; recinto descoberto no interior de um edifício; Vestíbulo lajeado de casa antiga e rés-do-chão. (ant.) edifício antigo onde se estudavam humanidades.

Se do conceito extraído do dicionário tinha uma clara percepção dada ser aplicada á arquitectura, desconhecia a sua ligação com disciplina "estudo das humanidades". E refiro-me mais concretamente ao termo "humanidade". Porque o pátio, tal como é aplicado o seu conceito na arquitectura, é na minha leitura, um elemento importante na definição de escala e humanidade num edifício. E esta leitura tem ainda mais força quando de uma casa se trata.

Ressalvando muitos aspectos, há diferenças no entanto entre casa-pátio(s) e casa com pátio(s). E vou tentar cingir-me apenas ao "pátio" . Casa e habitar ficaram para outro dia.

Na casa-pátio, o pátio surge como elemento unificador, ordenador do espaço. A morfologia do edifício apenas adquire a sua essência com a sua presença, não sendo possível dissociar a casa do pátio e vice-versa. O pátio não surge assim, ao contrário da maioria das situações, como espaço sobrante da construção. É o vazio que juntamente com o cheio fazem um todo. E esta unidade é indissociável. A casa-pátio surge assim como uma tipologia de edifício, ou seja, um tipo de edíficio que possui caracteristicas próprias e o distingue de outros tipos.

Já referi aqui que este blog se refere essencialmente á obra de um projecto de uma casa-pátio.

Qual é então a importância que um pátio pode ter?

É possivel fazer uma analogia entre a casa e o Eu. Penso que todos sentimos quando chegamos a casa. É como se entrassemos num outro mundo, naquele que é só nosso. E esse mundo é o reflexo de nós próprios também. A nossa personalidade está presente em todo o seu espaço. Existe uma empatia, por assim dizer. Porque é o nosso espaço, criado por nós. É também essencial para o nosso Eu a luz, o sol. Não será por acaso que este influencia as diferentes culturas e sociedades. Em envolventes demasiado agressivas para a nossa mente, como seja o caso de vivermos no meio de ruído, seja ele visual ou sonoro, há uma necessidade do organismo se proteger desses agentes. O Pátio, em situações como estas, surge como bálsamo para a mente. Porque é ele que faz a transição entre os conceitos que nos estão embuídos sobre o exterior da habitação e o seu interior.

MIES_casa3patios.jpg
CASA COM 3 PÁTIOS . MIES VAN DER ROHE . 1934


Desde as suas origens romanas ( o Pluvium ) até hoje foram muitos os que abordaram a temática desta tipologia. Falando dos modernos ( 1920.1940 ), Mies Van Der Rohe, Le Corbusier, Hilberseimmer, J.P.P Oud, Gropius ( Bauhaus ) e tantos outros fizeram parte desse grupo de estudiosos sobre a casa-pátio.
Escreverei em breve sobre estes e outros contemporâneos relacionados com esta temática.

Anónimo a 22 de Março de 2005 às 01:53
Já cantavam os Xutos a minha casinha... Poderia falar de imensas coisas sobre a relação eu/casa, mas vejo que conseguiste resumir na perfeição aquilo que eu espero sentir quando me mudar para a minha casinha nova.Stela
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